Esperando o Retorno do Senhor com Diligência: Exposição de 2 Pedro 3:14–18

Quando minha família e eu estávamos esperando pela nossa ida aos EUA para uma temporada de estudos preparativos para o ministério, nós estávamos em um estado que misturava apreensão e animação. Nós estávamos diligentemente trabalhando na preparação de nossos passaportes e vistos, viajando para visitar igrejas, levantando sustento para nossas viagens, organizando que iria nos pegar no aeroporto, enfim, estávamos preparando tudo para que de nossa parte pudéssemos ter uma transição suave e sem muitos percalços.

O grande dia estava prestes a chegar; nossa apreensão e animação estavam a pique. Mas de um dia para o outro comecei a me sentir mal por conta de uma catapora que peguei não sei onde e não sei de quem. Tivemos que adiar nosso voo por uma semana, mas continuávamos animados. O grande dia, enfim, chegara e pensamos, “agora vai!” E foi. Estávamos felizes de podermos nos preparar num dos melhores seminários do mundo e ansiosos por nossa chegada.

As coisas estavam indo muito bem, nosso voo iria chegar 30min adiantado. No entanto, quando chegamos a LAX tivemos que passar pela imigração. Pouco antes de nós vários voos haviam chegado da Ásia (não sei de que país, tudo é a mesma coisa para mim) e por conta disso a fila à nossa frente era enorme. E infelizmente, não havia fila prioritária pra pessoas com criança de colo como era o nosso caso. Toda aquela animação e expectativa inicial foram por água abaixo. Passaram-se 30 minutos, 1 hora. E começamos a pensar “Será que nossos amigos ainda estão lá?” Passaram-se 2 horas e começamos a murmurar “Por que não nos dão prioridade?” Ao todo esperamos 3 horas naquela fila, antes de podermos entrar, de fato, em solo Americano. Estas últimas horas de nossa espera pelo nosso sonho havia sido tão desanimadora, ociosa e enfadonha que esquecemos de todo a nossa animação e diligência de outrora.

Será que você já passou por algo parecido com isso? Você já esperou ansiosamente para que algo acontecesse em sua vida cuja demora lhe levou a esquecer ou desanimar daquilo que você tanto aguardava? Todos nós temos nossas esperas individuais, quer por um casamento, uma promoção no emprego, o término dos estudos, uma viagem.

Mas eu quero falar hoje de uma espera que todos nós juntos como Igreja temos em comum: O RETORNO DO SENHOR JESUS. E a realidade é que, assim como eu esqueci de minha animação e diligência enquanto esperava pela ida de nossa família aos EUA, assim também é muito fácil e comum, em nossa espera pelo retorno de Cristo, perdermos de vista as gloriosas realidades da nossa vida por vir e nos tornarmos negligentes e desanimados NESTA VIDA que Deus nos deu para usarmos fielmente para a Sua glória.

Hoje eu convido você a abrir comigo sua Bíblia para 2 Pedro 3:14–18. Nesta passagem eu quero meditar junto com você a respeito da atitude do crente enquanto espera o retorno de Cristo. E se você no final deste sermão não lembrar de mais nada do que eu disse eu quero você saia daqui pelo menos com o seguinte princípio em mente, anote aí: A expectativa do crente pelo retorno de Cristo deve ser marcada por uma atitude de diligência que resultará em glória a Ele.

Uma das palavras-chave usadas pelo apóstolo nesta epístola de 2 Pedro é a palavra conhecimento. Dentro das variadas formas que esta palavra pode tomar em Grego, Pedro a usa um total de 17 vezes. A idéia é que ao conhecermos aquilo que é correto nós podemos viver uma vida que agrada a Deus e confrontarmos falsos ensinamentos.

No contexto anterior à nossa passagem, introduzida pelas conjunções “Por esta razão, pois…”, Pedro está falando sobre o conhecimento do retorno iminente de Cristo para julgar o mundo. O apóstolo deseja que seus leitores tenham atitude correta à luz desse conhecimento. Eles não devem ser como aqueles falsos mestres que escarnecem da aparente demora de Cristo e passam a viver segundo suas paixões (2 Pe 3:3–4), mas devem ser marcados por uma vida de diligência que resulta em glória ao nome Cristo tanto no presente quanto no futuro.

Assim, Pedro nos exorta a ter cuidado diligente 3 áreas da vida cristã enquanto esperamos o retorno de nosso Senhor.

SEJA DILIGENTE NO CUIDADO PESSOAL (v. 14)

Se você saísse nas ruas entrevistando as pessoas com a seguinte pergunta, “O que você faria se soubesse que amanhã seria o último dia da existência deste mundo?” Que tipos de resposta você acho obteria?

Algumas pessoas iriam responder: “Eu entraria em pânico.” Outras pessoas responderiam: “Eu ‘aproveitaria’ cada momento.” E por ‘aproveitar’ o que muitas pessoas querem dizer é se envolver com todo tipo de dissolução ímpia. Outros diriam: “Eu gastaria todo o meu dinheiro.” O que para mim não duraria muito tempo, então eu teria que encontrar outra coisa pra fazer. 🙂

Eu pergunto a você, “Qual seria sua resposta a essa pergunta? Será que sua atitude seria diferente da atitude daqueles que não conhecem a Deus?”

Pedro nos dá aqui uma ordem forte para nos empenharmos, fazermos todo esforço, reunirmos toda a nossa diligência para estarmos preparados para o iminente retorno de Cristo. A forma em que este imperativo se encontra sugere urgência e prioridade no cuidado com a nossa piedade pessoa. De fato, o verbo usado por Pedro aqui faz parte da expressão encontrada em 2 Pedro 1:5 onde o apóstolo nos exorta a reunirmos toda a nossa diligência para desenvolvermos a virtudes da vida cristã (fé, virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade, amor) necessárias para que sejamos ativos e frutíferos no pleno conhecimento de Cristo.

Aqui Pedro destaca dois aspectos que devem caracterizar a vida pessoal dos crente enquanto esperam o retorno de Cristo: PAZ  e PUREZA.

Pânico nunca deve nos caracterizar quando consideramos o retorno iminente de nosso Senhor. Contudo, por um motivo ou outro, ter esta paz interna não parece ser algo natural para muitos cristãos, embora devesse ser. Por isso, Pedro nos exorta a nos empenharmos. Se isto é algo com o que você luta, esforce-se. Medite na Palavra de Deus; nas gloriosas realidades que a vinda de Cristo trará; no gozo que haverá na presença de Cristo; na perfeita comunhão que teremos com outros santos.

A descrição cataclísmica do terrível Dia do Senhor das nos vv. 10–13 não foi dada para perturbar os crentes. Isso deve sim causar terror naqueles que não conhecem a Deus, mas o crente deve demonstrar em sua vida uma paz que é fundamentada tanto na segurança da sua salvação em Cristo, como na sua diligência em viver uma vida pura.

Por esta razão, Pedro também inclui em sua exortação ao cuidado pessoal o aspecto da pureza. Não apenas devemos ser achados por Cristo em paz, mas também “sem mácula e irrepreensíveis.” Há duas considerações importante a fazer a respeito destes termos.

Primeiro, os mesmo termos são usado no sentido oposto para se referir a falsos mestres como “nódoas e deformidades” em meio aos crentes verdadeiros (2 Pedro 2:13). Então, Pedro está nos exortando ao seguinte: “Observe a vida daqueles que não temem a Deus, que vivem em práticas libertinas, daqueles espalham falsos ensinos, e viva uma vida diametralmente oposta à deles.” Ao invés de ‘aproveitarmos’ a vida para nos regalarmos e satisfazermos os desejos da nossa carne pecaminosa, nós crentes devemos fazer todo esforço para ter uma vida caracterizada por pureza moral.

Em segundo lugar, os mesmos termos são usado em 1 Pedro 1:19 para descrever a Cristo, nos verdadeiro Mestre, como o Cordeiro “sem defeito e sem mácula.” Então a implicação do uso destes termos por Pedro é que não basta ao crente simplesmente ter uma conduta moral melhor do que a daqueles que não temem a Deus. Mais do que isso, é preciso que os crentes tenham uma conduta moral em conformidade com o caráter de Cristo. Falsos mestres não são o padrão pelo qual a nossa vida será medida, Cristo é.

Sim, o nosso padrão é altíssimo, infinito, perfeito. “Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5:48). “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1:16). Isso não quer dizer que o crente pode atingir perfeição moral nesta vida. O que isto quer dizer é que Deus não nos dá um padrão humano atingível de conduta. É por esta exata razão que a vida cristão exige esforço contínuo pra progredirmos em nossa santificação, em nosso conformação com a imagem de Cristo. Deus não exige de nós justiça moral perfeita para nos salvar, isto nos foi imputado pela fé baseado nos méritos de Cristo. Mas Deus exige de nós que empreguemos toda a nossa diligência em nosso cuidado pessoal enquanto esperamos o retorno do Senhor.

SEJA DILIGENTE NO CUIDADO COM OS PERDIDOS (v. 15).

Falsos mestres no período em que Pedro escreveu esta carta consideravam o fato de que Jesus ainda não havia retornado depois de mais de 30 anos que a promessa havia sido feita como lentidão ou atraso. Pedro aqui nos convoca a enxergar a aparente demora do retorno de Cristo por um outro ângulo. Considere este tempo entre os dois adventos de Cristo como uma demonstração da paciência de Deus e de sua disposição para salvar pecadores. Imagine se Jesus tivesse retornado na semana anterior à sua conversão. Você não teria sido salvo! Você só foi salvo porque Deus pacientemente esperou pelo tempo em que você chegaria ao arrependimento dos seus pecados e à fé em Cristo. Deus está sendo paciente porque ele quer que todos aqueles a quem Ele escolheu antes da fundação do mundo sejam salvos.

Paulo ensinou sobre esta mesma paciência ao escrever em Rom 2:4: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” E em Rom 3:23–26: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.”

À luz dessa verdade, qual deveria ser a nossa atitude com cristãos? Primeiro, deveríamos nos maravilhar com a graça de Deus. Eu não aguentei esperar 3 horas sem murmurar naquela fila da imigração. Por outro lado, Deus esperou 2000 mil anos para trazer a mim, seu inimigo, para que eu pudesse ser salvo. Segundo, nós devemos aproveitar cada oportunidade para proclamarmos a Palavra de Deus, especialmente, àqueles que não o conhecem. Sabemos que Deus tem sido paciente porque Ele que salvar pessoas e nos estabeleceu como Seus instrumentos para alcançar este mundo perdido. Portanto, enquanto aguarmos o nosso Senhor voltar sejamos diligentes no cuidado com os perdidos.

SEJA DILIGENTE NO CUIDADO COM A PUREZA DOUTRINÁRIA (vv. 16–18)

Pedro terminou o versículo anterior afirmando que Paulo, como seu companheiro de ministério, também havia ensinado a respeito das coisas que ele ensina nesta epístola. Neste versículo, Pedro continua desenvolvendo este assunto para deixar claro o porquê de sua menção a Paulo. O fato é que os falsos mestres e seus discípulos nos dias de Pedro estavam tomando os ensinos de Paulo e distorcendo-os para justificar sua licenciosidade e comportamento libertino.

É impossível saber ao certo a que epístolas paulinas Pedro está se referindo especificamente aqui, ou a parte específica dos ensinos de Paulo sobre a qual Pedro está falando. Contudo, um bom palpite seria que estes falsos mestres e seus discípulos estariam distorcendo o ensino caracteristicamente paulino da salvação pela graça mediante a fé à parte das obras da Lei (Rom 3:28; 5:20; Gal 5:1) para promover seus padrões frouxos de vida.

Há algumas coisas importantes a observarmos no verso 16. Primeiro, enquanto muitos teólogos hoje negam que Paulo tenha escrito pelo menos parte das epístolas que levam o seu nome, Pedro traz uma afirmação incontestável de os escritos de Paulo estão em pé de igualdade com os profetas do AT (ou seja, “as demais Escrituras”). Isto segue naturalmente do fato que Pedro havia afirmado no verso anterior que Paulo não havia escrito segundo sua própria sabedoria, mas “segundo a sabedoria que lhe foi dada.”

Em segundo lugar, este versículo também nos ensina que o fato de que há algumas coisas na Bíblia difíceis de entender não nos dar liberdade de interpretá-la ou torcê-la de acordo com os nossos próprios caprichos. Pedro se refere àqueles que se submeteram as falsos mestres como “ignorantes (ou não-ensinados, não-discipulados)” e “instáveis (2 Pe 2:14)” e afirma que sua deturpação das Escrituras não será dispensada simplesmente porque eles foram mal treinados. Eles serão devidamente punidos na vinda do Senhor.

Esta deturpação da sã doutrina não é uma característica exclusiva dos tempos de Pedro. Nós vivemos em um tempo em que a proliferação de falsos mestres parece estar fora de controle. Nós vivemos em um tempo em que muitos crentes sinceros tem recebido uma alimentação espiritual muita fraca de seus púlpitos, e por conta disso estão a mercê de serem seduzidos por estes falso ensinos. Esta situação só tenderá a piorar à medida que nos aproximamos do retorno de Cristo.

Então qual, deve ser a nossa atitude à luz desta situação nebulosa? Nos últimos dois versículos Pedro traz duas exortações (uma defensiva e uma ofensiva) a respeito desse cuidado diligente que devemos ter com a pureza doutrinária.

PROTEJA-SE. Pedro afirma, “vocês tem uma certa medida de conhecimento (‘prevenidos’). Então ele nos exorta a nos tomarmos cuidado com essas distorções. O verbo imperativo “acautelai-vos” dá a idéia de “esteja sempre, constantemente em guarda, alerta.” O perigo de ser arrastado pelo erro é constante e crescente. Portanto, isto exige de nós que nossa atenção também seja constante e crescente.

O custo do desleixo com a pureza doutrinária é alto demais, pois nos deixará instáveis, “descaídos de nossa firmeza” na verdade como aqueles que foram enganados pelos falsos mestres (v. 16). No começo da epístola Pedro descreve os crentes a quem ele escreve como aqueles que estão “certos da verdade…e nela confirmados” (2 Pe 1:12). Agora, ele faz uma apelo final para que eles não percam esta firmeza por conta de negligência no cuidado com a pureza doutrinária. Seja diligente no cuidado com a pureza doutrinária, primeiramente, protegendo-se.

PROGRIDA. Em segundo lugar, seja diligente no cuidado com a pureza doutrinária progredindo, avançando na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Note que Pedro começou a primeira exortação afirmando que nós temos um pré-conhecimento que é suficiente para nos protegermos se sermos arrastados pelo erro. Contudo, a vida cristã não para por aí. Não podemos abrir a guarda, mas precisamos avançar.

É imperativo para o cristão crescer na graça de Deus. Quanto mais nós entendemos quão pecadores nós somos, e quão dependente nós somos de Deus, mais apreciaremos o valor da Sua graça derramada sobre nós em Jesus Cristo.

É imperativo que o cristão cresça no conhecimento de Cristo. E com a palavra conhecimento Pedro não está se referindo meramente a informações a respeito de Jesus, mas a intimidade com o Senhor. Não se trata de um conhecimento que meramente informa, mas de um conhecimento que transforma aquele que o apreende.

Há um grande perigo do qual precisamos nos guardar, que é o de estarmos tão saturados desse tipo de conhecimento enciclopédico a respeito de Cristo e ainda assim nos esfriarmos no nosso relacionamento pessoal com nosso Salvador.

Crescimento, maturação é uma marca de todo crente genuíno. Crescimento é alguma crucial para se obter estabilidade a firmeza doutrinária de que precisamos para nos guardarmos de sermos arrastados pelos erros doutrinários que constantemente nos seduzem. Assim como um bebê precisa crescer e desenvolver seus músculos, ossos e articulações para firmar seus passos, assim também nós precisamos crescer espiritualmente e firmarmos nossos pés cada vez mais firmemente na Rocha para resistirmos aos ventos de doutrinas cada vez mais avassaladores de nossa época.

CONCLUSÃO

Pedro encerra esta exortação com uma doxologia, uma declaração de louvor. Enquanto esperamos pelo retorno do Senhor, que ele receba glória “agora” por meio de nossa atitude de cuidado diligente. Sabemos que Ele está sendo louvado, glorificado neste momento no céu pelos seus anjos. Também sabemos que Ele será glorificado por toda a eternidade. Mas a pergunta que cabe a cada um de nós responder é: “Jesus está sendo glorificado em minha vida agora?”

Lembre do que este texto ensina: A expectativa do crente pelo retorno de Cristo deve ser marcada por uma atitude de diligência que resultará em glória a Ele.

Nosso Senhor certamente está voltando: Como seremos achados por Ele na sua vinda?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *